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Howard Marks: Queda de juros criou 'gênios' no mercado e novas bolhas

Howard Marks: Queda de juros criou 'gênios' no mercado e novas bolhas
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Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital Management, participou da XP Global Conference em Miami, na segunda-feira, 16 de março de 2026. Marks abordou o impacto da queda das taxas de juros nos últimos 40 anos e os riscos de novas bolhas no mercado financeiro.

Juros em queda: o evento mais importante

Marks afirmou que a queda de 20 pontos percentuais nas taxas de juros entre 1980 e 2020 foi o evento mais significativo no mundo financeiro no período. Essa mudança gerou uma "bonança dupla" para estratégias de investimento alavancadas, com a alta dos preços dos ativos e a queda do custo do capital.

Com a queda das taxas, o custo do empréstimo diminuiu, transformando investidores em "gênios" sem que necessariamente tivessem mérito próprio.

Marks ressaltou que as estratégias que prosperaram nesse cenário de juros baixos podem não ser bem-sucedidas em um cenário de taxas mais altas e estáveis. O private equity, por exemplo, teve um desempenho médio de 4% ao ano nos últimos quatro anos, em contraste com o período anterior.

Inteligência Artificial e as novas bolhas

Marks também comentou sobre a Inteligência Artificial (IA), que, embora não tenha o mesmo efeito transformador da queda dos juros, é vista como uma inovação tecnológica com grande potencial. Ele apontou preocupações sobre as ramificações sociais da IA, como desemprego.

Marks mencionou que a história pode se repetir, com a ganância e o medo levando investidores a perseguir as mesmas ideias. Bolhas, como as de tulipas, ferrovias ou internet, envolvem uma "coisa nova", e o excesso de capital e preços inflacionados podem resultar em perdas.

Outro setor que preocupa Marks é o de crédito privado, que cresceu para US$ 1,5 trilhão em 15 anos. Ele alerta que, em tempos difíceis, as falhas de quem não foi disciplinado nos documentos e nas taxas começarão a aparecer.

Risco e retorno

Marks criticou a visão acadêmica que associa risco à volatilidade. Para ele, o verdadeiro risco é a possibilidade de perda permanente de dinheiro. A volatilidade é vista como uma "pista falsa".

A chave é o "suporte inteligente de risco para lucro". Marks usa a analogia das seguradoras de vida, que são lucrativas porque o risco de morte é conhecido, analisável e bem remunerado.

Filosofia de investimento

A pedra angular da filosofia de investimento de Howard Marks é: "Não é o que você compra, é o que você paga que importa". Ele defende que é possível simplificar os investimentos em duas classes principais: ativos de propriedade (ações, imóveis) e ativos de empréstimo (títulos, empréstimos).

Em vez de buscar retornos estratosféricos, Marks defende a consistência como melhor caminho para o sucesso. Evitar grandes perdas e manter um desempenho sólido ao longo do tempo é o caminho para resultados superiores.

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