Inadimplência corporativa e recuperação judicial: incertezas no cenário econômico de 2026

Empresas brasileiras iniciaram 2026 com desafios que vão além das projeções iniciais, impulsionados pela alta taxa de juros e dificuldades no acesso ao crédito. A situação é agravada pelas incertezas globais causadas pelo conflito no Oriente Médio.
Especialistas ouvidos pelo InfoMoney apontam que a gestão do fluxo de caixa e a reestruturação de dívidas são cruciais para evitar processos de recuperação judicial. O mercado projeta um cenário de maior clareza para o próximo ano.
Aumento da inadimplência
Dados do Serasa Experian mostram o aumento da inadimplência corporativa. Em janeiro de 2021, o Brasil registrou 5,8 milhões de empresas inadimplentes. Esse número cresceu para 8,9 milhões em dezembro de 2025, recuando para 8,7 milhões em janeiro de 2026.
A taxa Selic, que era de 13,25% em janeiro de 2025, subiu para 15% em junho do mesmo ano, permanecendo nesse patamar até março de 2026, quando foi reduzida para 14,75%.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, explica que grande parte da inadimplência está fora do sistema financeiro, afetando as relações com fornecedores.
Juros e expectativas frustradas
Max Mustrangi, especialista em reestruturação de empresas, observa que os juros são uma consequência do endividamento, e não a causa principal. A frustração das expectativas de crescimento também contribui para a crise, de acordo com Lucas Pena, CEO da Pact.
Empresas estão ajustando seus planejamentos devido ao aumento dos custos, à desaceleração da queda da Selic, à variação do dólar e aos preços do petróleo. O foco das empresas se volta para a gestão de juros e condições internacionais.
Cenário de incertezas
Eduardo Menicucci, professor da Fundação Dom Cabral (FDC), relata que, pela primeira vez em duas décadas, três setores distintos estimaram a mesma receita para 2025 e 2026. A adaptação à reforma tributária também exige atenção.
O mercado corporativo tem visto um aumento nos pedidos de recuperação judicial. Especialistas veem isso como um mecanismo para reorganização em meio a choques externos e projeções não atingidas.
Max Mustrangi enfatiza a importância de cumprir acordos e manter a transparência para manter a credibilidade no mercado. A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, indica que as empresas devem analisar suas operações e considerar fontes alternativas de receita.
A recomendação é de cautela, transparência e disciplina financeira. As empresas devem revisar suas operações internas e se reorganizar.
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