Insights Startup Summit 2026: a odisséia da Conta Simples para ser AI-First
No Startup Summit 2026, a Conta Simples abriu os bastidores de sua reorganização interna: após desperdiçar recursos em tentativas de engajamento, a fintech criou uma plataforma própria de IA, superou a marca de 130 agentes ativos e provou que a verdadeira transformação digital nasce de governança e liderança pelo exemplo.

O ecossistema de inovação catarinense voltou seus olhos para Florianópolis nesta semana com o início do Startup Summit 2026, na quarta-feira, 26 de agosto. Entre os grandes nomes que passaram pelos palcos do evento, uma história ganhou destaque entre os empreendedores: a trajetória da Conta Simples, hoje uma das fintechs B2B mais relevantes do País.
Em um talk direto e repleto de bastidores reais, Ricardo Gottschalk Cofundador na Conta Simples detalhou os tropeços e acertos na jornada da empresa para se transformar em uma organização AI-First.
E a lição principal: cultura de inovação não se compra com orçamento nem se resolve com prêmios fáceis.
Dos R$ 5 mil ignorados ao milhão desperdiçado
A primeira tentativa da empresa para engajar os colaboradores no uso de IA consistiu em oferecer um curso de R$ 5.000 para as duas melhores iniciativas internas.
O resultado? Praticamente nulo.
Diante do revés, a liderança optou por ser mais "agressiva" na segunda tentativa: colocou R$ 1 milhão no orçamento livre para os times usarem como quisessem, sem restrições. O resultado da abundância financeira desgovernada surpreendeu até os fundadores: a empresa gastou
apenas 5% do montante total.
O erro seguinte aconteceu no planejamento orçamentário da área de operações, quando a liderança percebeu a contradição de pregar eficiência por IA enquanto solicitava mais de 30 novos headcounts para uma única área.
“Cultura não se compra com orçamento. Não adianta virar e falar que tem dinheiro para ferramenta ou para aumentar headcount. Na verdade, estava sendo o contrário: a gente estava falando uma coisa e fazendo outra”, confessou Ricardo.
O sistema de virada: direcionamento, estrutura e capacitação
A virada de chave da Conta Simples aconteceu quando a empresa entendeu que precisava construir um sistema baseado em três pilares fundamentais:
1. Direcionamento e liderança pelo exemplo
A inteligência artificial foi estabelecida como um dos cinco pilares corporativos para o ciclo 2025-2026, acompanhada da meta agressiva de criar 100 agentes internos em seis meses. Mais do que cobrar, a liderança foi forçada a usar: o próprio CEO, Rodrigo, inaugurou o catálogo interno criando um agente que conectava seu e-mail e economizava quatro horas semanais de sua rotina.
2. Estrutura e restrições inteligentes
Para garantir velocidade, a empresa retirou seus três melhores engenheiros de projetos críticos e os alocou 100% na criação da plataforma interna de IA. Além disso, a abundância foi cortada: vagas foram congeladas, e para repor qualquer colaborador, o gestor passou a ter que provar matematicamente que a demanda não podia ser resolvida com IA.
3. Capacitação descentralizada:
A Conta Simples distribuiu licenças de nuvem e ferramentas como o Gemini para toda a base (cerca de 250 colaboradores), condicionada à conclusão de capacitações. Além disso, contratou especialistas em IA alocados diretamente nos times de negócio (como vendas) e integrou o time de dados à operação comercial, criando uma rede de AI Champions.
Resultados
Com essa guinada cultural, a meta inicial de 100 agentes internos foi rapidamente superada, ultrapassando 130 criações e caminhando rapidamente para a proporção de um agente por colaborador.
Para os empreendedores presentes no Startup Summit 2026, a mensagem final de Ricardo Gottschalk serviu como um guia valioso: a transformação digital exige consistência, alinhamento entre discurso e prática, e restrições que estimulem a real criatividade dos colaboradores.
Sobre o autor

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Bianca Gimenez é mentora, estrategista de marketing e especialista em crescimento previsível para startups SaaS B2B. Com mais de 10 anos de experiência em marketing e growth, construiu e liderou estratégias responsáveis por acelerar o crescimento de empresas de tecnologia em diferentes estágios de maturidade. Ao longo de sua trajetória, foi CMO em empresas como a Movidesk, adquirida pela Zenvia em uma transação de R$ 600 milhões, e a SmartHint, empresa do grupo Magazine Luiza. É fundadora da Águia Leão, boutique de aceleração especializada em startups SaaS B2B e também do Growth Club, uma das maiores comunidades de marketing do Sul do Brasil.
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