Investimentos em ano eleitoral: como a política pode afetar juros, dólar e Bolsa

Em anos eleitorais, a política econômica e as expectativas sobre os candidatos costumam influenciar o mercado financeiro. Priscilla Cacavallo, gerente da Daycoval Investe, analisa os impactos nos investimentos.
Impactos no mercado financeiro
A percepção sobre a condução da política econômica, especialmente em relação aos gastos do governo, move os preços dos ativos. Em 2026, a queda da inflação e da taxa básica de juros, aliada à desvalorização do dólar no cenário internacional, pode impactar o câmbio, a curva de juros e o fluxo de capital estrangeiro.
A volatilidade é um dos primeiros reflexos desse ambiente. Pesquisas eleitorais e discursos influenciam os preços, gerando movimentos rápidos.
Dólar e câmbio
Dúvidas sobre o compromisso com o equilíbrio fiscal tendem a pressionar o dólar, enquanto sinais de responsabilidade e previsibilidade geram alívio. Cacavallo explica que o câmbio costuma ser o primeiro ativo a reagir ao aumento das incertezas políticas.
Para se proteger, o investidor pode buscar a diversificação internacional. Isso pode ser feito com ativos no exterior, fundos cambiais e ETFs.
Curva de juros
A curva de juros reflete as expectativas do mercado sobre inflação, crescimento e trajetória fiscal. Se o mercado vê maior probabilidade de inflação, a curva tende a “abrir”, com taxas de juros mais altas para prazos mais longos.
O ponto central não é o resultado da eleição, mas os projetos econômicos e a gestão fiscal nos anos seguintes. Quando o mercado enxerga compromisso fiscal e previsibilidade, a curva tende a melhorar.
Bolsa de Valores
Na Bolsa, os setores mais sensíveis ao ciclo doméstico e à política econômica tendem a sofrer mais. Empresas com balanços sólidos e geração de caixa previsível costumam se destacar em ambientes de maior incerteza.
Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, sugere investimentos em ativos de utilidade pública, além dos bancos. Outras oportunidades podem aparecer em empresas com forte geração de caixa.
Estratégias de investimento
A estratégia para investir em ano eleitoral envolve equilibrar proteção e oportunidade. O perfil conservador deve focar na preservação de capital, o moderado precisa equilibrar proteção e oportunidade, e o arrojado pode usar a volatilidade a favor.
Independentemente do perfil, Cacavallo destaca a trajetória fiscal, as sinalizações sobre política econômica, o comportamento da curva longa de juros e o fluxo estrangeiro como fatores importantes.
A alocação vencedora será aquela capaz de proteger capital sem abrir mão das assimetrias que surgem quando o mercado exagera nas incertezas.
Comentários
Comentários publicados
Carregando comentários...
Novo comentário
Notícias Relacionadas

Bolsas asiáticas fecham em queda com tensões no Oriente Médio

Sabesp (SBSP3) propõe desdobramento de ações na proporção de 1 para 5

