Jaison Tamanini mostra como energia solar deixou de ser promessa e virou decisão financeira

A energia solar deixou de ser apenas uma alternativa sustentável e passou a ocupar espaço nas decisões financeiras de famílias e empresas. Em um cenário de consumo crescente de eletricidade, ar-condicionado, equipamentos elétricos, automação residencial e novas formas de mobilidade, a discussão deixou de ser apenas ambiental. Passou a ser econômica.
Esse é o ponto defendido por Jaison Tamanini, da Tamanini Solar Solutions, durante entrevista ao EmpreendaNews na Fecarroz 2026, em Massaranduba. Com seis anos de atuação no setor de energia solar e dois anos à frente da própria empresa, o empreendedor afirma que muitos consumidores ainda deixam de investir por falta de informação clara sobre viabilidade, financiamento e retorno.
“Às vezes, a pessoa ainda não quer fazer porque a gente não teve a oportunidade de sentar, conversar e explicar. Quando abrimos a fatura, fazemos o estudo de viabilidade e mostramos os números, ela entende”, afirmou.
Segundo Jaison, um sistema residencial com cerca de 10 painéis pode atender uma família com consumo médio em torno de 580 kWh por mês. O investimento, nesse caso, fica na faixa de R$ 13,5 mil a R$ 14 mil, com possibilidade de financiamento em até 72 meses.
Na prática, ele explica que parte do valor que antes seria destinada mensalmente à concessionária passa a pagar o próprio sistema. Durante o financiamento, o cliente já pode ter redução no desembolso mensal. Depois da quitação, a economia tende a se ampliar.
“É um dinheiro que seria pago de qualquer maneira. A diferença é que, em vez de apenas pagar a conta de luz, a pessoa passa a pagar por um ativo que gera energia”, resumiu.
Do RH à energia solar
A trajetória de Jaison no empreendedorismo começou antes da energia solar. Ele trabalhou por 13 anos na Brasélio Tratores, na área de recursos humanos e gestão de pessoas. Antes disso, passou pela indústria e pelo comércio.
A virada veio quando decidiu empreender. O primeiro negócio foi na área de publicidade em saquinhos de pão, modelo que conheceu por meio do programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios. A operação consistia em vender espaços publicitários nos pacotes distribuídos em padarias da região.
O negócio deu certo a ponto de Jaison ser reconhecido como case de sucesso dentro da franquia. Mas, durante essa fase, ele passou a atender uma empresa de energia solar como cliente de divulgação. Depois de mais de um ano acompanhando o setor, recebeu o convite para atuar na venda de projetos solares.
Antes de vender, decidiu testar.
“Eu disse: primeiro vou fazer o meu projeto em casa para entender se realmente é isso que vocês estão me vendendo. Instalei lá em casa e a conta baixou drasticamente já no primeiro mês”, contou.
A experiência pessoal foi determinante para sua entrada definitiva no mercado.
Pós-venda como diferencial
Com a Tamanini Solar Solutions, Jaison afirma ter optado por uma operação mais enxuta e focada no acompanhamento próximo dos clientes. Para ele, o setor não pode se limitar à venda e à instalação dos painéis.
A empresa monitora a geração dos sistemas, acompanha a performance mensal e orienta clientes sobre manutenção, limpeza dos módulos e eventuais perdas de eficiência. Entre os problemas que podem afetar a geração estão sombras provocadas por árvores, sujeira acumulada nos painéis e falhas técnicas.
“Ninguém gosta de ter um teto cheio de placas e descobrir que o sistema está parado há mais de um mês só quando a conta chega”, afirmou.
A empresa também atua com projetos on grid, híbridos e off grid. O modelo on grid, mais comum nas áreas urbanas, é conectado à rede da concessionária. Já os sistemas híbridos contam com baterias e podem manter parte da operação em casos de queda de energia. O off grid, por sua vez, é mais utilizado em áreas rurais ou locais sem acesso à rede elétrica.
Mercado segue em expansão
Para Jaison, o futuro da energia solar está diretamente ligado ao aumento da dependência da eletricidade. A tendência de casas mais climatizadas, equipamentos elétricos, fogões de indução, piscinas aquecidas e carros elétricos deve ampliar a demanda por energia nos próximos anos.
Ele também destaca que o setor exige análise individual. Nem todo projeto tem o mesmo perfil, e a viabilidade depende de consumo, estrutura disponível, necessidade do cliente e tipo de instalação.
“Tem que analisar a viabilidade. Por isso fazemos um projeto personalizado, dentro da realidade e da necessidade de cada cliente”, explicou.
Hoje, a Tamanini Solar Solutions tem mais de 300 projetos instalados nos últimos dois anos e atua principalmente em Massaranduba e região. A empresa trabalha com equipe direta enxuta, parceiros de instalação, engenharia e suporte técnico.
Para os próximos anos, Jaison projeta crescimento com cautela. A meta mencionada durante a entrevista é chegar a 2 mil projetos instalados em cinco anos, ampliando também a estrutura operacional.
Mais do que vender painéis solares, o empreendedor afirma que o desafio é traduzir a energia solar para a realidade financeira das pessoas.
“O cliente precisa entender. Quando ele vê a conta aberta, percebe que a decisão não é só sobre instalar energia solar. É sobre parar de desperdiçar dinheiro mês após mês”, afirmou.
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CEO do EmpreendaSC, empreendedor, jornalista e comunicador com experiência em operação, vendas e análise de mercado. Combina vivência empresarial e leitura de dados para traduzir o cenário catarinense em informação prática para quem empreende.
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