PF aponta risco sistêmico no sistema financeiro após análise do caso Banco Master

A Polícia Federal (PF) identificou “fortes indícios” de desvio de recursos e risco sistêmico no sistema financeiro em investigação sobre o Banco Master, liquidado pelo Banco Central (BC) no final do ano passado. A conclusão, divulgada após análise de relatórios de inteligência financeira (Rifs), faz parte da Operação Compliance Zero, que teve sua segunda fase deflagrada na última quarta-feira (14).
A investigação apura supostas fraudes envolvendo a instituição financeira. A nova fase da operação concentra as atenções nas relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os fundos de investimento da gestora Reag, também liquidada pelo BC na quinta-feira (15). A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que autorizou a segunda fase da operação, aponta evidências apresentadas pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo.
Suspeitas de desvio e organização criminosa
Os relatórios analisados pela PF revelam que empresas com capital social “ínfimo” cediam “direitos creditórios milionários” para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) ligados ao Banco Master. A PF também identificou movimentações financeiras “suspeitas”, como uma transferência de R$ 9 milhões de um intermediário para Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ambos alvos de mandados de busca e apreensão.
O MPF de São Paulo aponta para a existência de uma organização criminosa que atua desde a década passada. Em nota, a defesa de Vorcaro nega irregularidades e afirma que ele colabora com as autoridades, ressaltando que o banqueiro atuou para proteger credores e investidores antes da liquidação extrajudicial.
Impacto e próximos passos
A operação resultou no bloqueio e sequestro de R$ 5,7 bilhões em bens. As investigações apuram crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais. Um contingente de 1,6 milhão de investidores aguarda ressarcimento via Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com perspectiva de pagamento a partir da próxima semana. O rombo é de R$ 41 bilhões, cerca de um terço dos recursos do FGC.
As investigações sobre o caso Master continuam, buscando esclarecer os desvios e o impacto das operações irregulares no sistema financeiro.
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