Retorno de capital estrangeiro à bolsa brasileira: análise de Ricardo Lacerda

O fluxo de capital estrangeiro retornou à bolsa de valores brasileira a partir do terceiro trimestre do ano anterior, impulsionado pela fragilidade de outros mercados emergentes. A análise é de Ricardo Lacerda, sócio fundador e CEO da BR Partners, em participação no programa Stock Pickers.
Lacerda argumenta que o Brasil se destaca no cenário global pela deterioração de seus pares diretos. O executivo destacou que o país se beneficia do esvaziamento de outras opções de investimento.
Contexto Econômico Global
Enquanto a Europa enfrenta estagnação, a China enfrenta barreiras geopolíticas e a Índia apresenta múltiplos elevados, o mercado brasileiro volta a atrair investidores.
O executivo mencionou que a percepção de que o Brasil possui empresas saudáveis e uma economia que ainda apresenta indicadores positivos foi suficiente para atrair investimentos.
A reativação das operações de mercado de capitais reflete essa mudança. Lacerda observou um aumento na taxa de conversão de mandatos em transações reais, especialmente em follow-ons e IPOs.
O CEO da BR Partners também mencionou preocupações sobre a política monetária. Ele argumenta que a manutenção de taxas altas por tempo indeterminado pode ser insustentável para o setor produtivo.
Modelo de Negócios da BR Partners
Lacerda reforça a independência da BR Partners em relação ao balanço. O modelo de “capital as a service” permite que a instituição foque nos interesses do cliente.
Com uma carteira de crédito entre R$ 4 e R$ 5 bilhões, a instituição atua na estruturação de papéis que serão distribuídos ao mercado, mantendo no máximo 25% do risco.
A cultura interna, inspirada em sua experiência no Goldman Sachs, prioriza o lucro de longo prazo através da defesa dos interesses do cliente.
A sustentabilidade de qualquer ciclo de crescimento dependerá do cenário político. Lacerda acredita que há espaço para uma “terceira via” transformacional.
O BR Partners segue expandindo sua atuação, inclusive no exterior. O banco aderiu recentemente a um programa de ADRs para facilitar o acesso de investidores estrangeiros.
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