Governo repassou R$ 2 milhões a influenciadores e artistas para promover programas oficiais

Com o avanço da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas, partidos, governo e aliados intensificam a presença digital em plataformas como Instagram e Facebook. Pesquisa Datafolha divulgada em 11 de abril mostrou empate técnico entre os dois em um eventual segundo turno: Flávio aparece com 46% e Lula com 45%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios.
No ambiente digital, a ofensiva já envolve verba relevante. Reportagem da Veja informou que o PT gastou R$ 378 mil em impulsionamentos recentes nas plataformas da Meta, com parte das peças direcionada a ataques contra Flávio Bolsonaro. Segundo a publicação, esse foi o segundo maior gasto político do período, atrás apenas do governo federal.
Outra frente envolve publicidade institucional e uso de influenciadores. Reportagens publicadas a partir de informações atribuídas à Folha relataram repasses de cerca de R$ 2 milhões a influenciadores e artistas para divulgação de programas do governo, além do aumento do peso dos canais digitais na distribuição da verba publicitária oficial.
O avanço desse modelo de disputa ocorre sob atenção jurídica. O TSE consolidou entendimento de que o impulsionamento pago de conteúdo político só pode ser usado para promover ou beneficiar candidatos e partidos, vedando a modalidade negativa contra adversários. Em fevereiro de 2026, o MPF informou que a Corte aplicou multas em casos de propaganda negativa impulsionada na pré-campanha.
Com isso, a corrida eleitoral entra em uma nova fase: além da pesquisa e da rua, a disputa passa a ser travada também por verba, algoritmo, segmentação e risco regulatório nas redes sociais.
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