Guerra no Irã e impacto nos fundos multimercados e política monetária em 2026

A guerra no Irã, que fechou o Estreito de Ormuz, afetou os mercados financeiros em março de 2026. Fundos multimercados registraram sua terceira maior queda desde o início da série histórica do índice IHFA da Anbima, que começou em 2007.
O petróleo, canal de transmissão imediato do conflito para os mercados financeiros, teve alta, revertendo posições e causando perdas em juros, moedas e bolsas.
Alexandre Aagesen, gestor de portfólio da XP Advisory, afirmou que a alta no preço da energia causa inflação e queda nos preços dos ativos financeiros.
Impacto nos mercados
Antes da guerra, havia um fluxo de capital de países desenvolvidos para mercados emergentes. O conflito afetou essa dinâmica, segundo análise feita no programa Stock Pickers.
O Banco Central reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 25 pontos-base na reunião do Copom de março. Antes da guerra, o consenso era de um corte de 50 pontos-base.
Aagesen explicou que o Banco Central reduziu menos a taxa devido ao choque inflacionário.
O mercado está preocupado com a revisão do juro terminal, o nível para o qual a Selic convergirá ao fim do ciclo. A curva de dois anos subiu cerca de 100 pontos-base.
O ambiente de juros altos por mais tempo agrava o mercado de crédito. Empresas alavancadas enfrentam dificuldades para rolar dívidas ou captar novos recursos.
Casos como os pedidos de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar foram citados como exemplos de uma conjuntura em que a taxa de juros desacelera a economia.
A XP Advisory mantém exposição ao crédito, mas em postura conservadora.
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