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Marketing

Haaland respondeu um fã e isso vale mais que campanha

Um comentário de Haaland no Instagram viralizou mais que qualquer campanha paga. O motivo não foi a fama, foi um mecanismo de engajamento que qualquer empresa, pequena ou grande, pode copiar.

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Pense na última vez que sua empresa respondeu um comentário no Instagram. Foi um "obrigado" genérico, escrito às pressas entre uma tarefa e outra, que ninguém notou?

Agora imagine se essa resposta virasse print, fosse compartilhada centenas de vezes e trouxesse gente nova para o seu perfil sem você gastar um real em anúncio.

Foi mais ou menos isso que aconteceu com Erling Haaland, atacante do Manchester City, nas últimas semanas. E o motivo por trás do fenômeno tem menos a ver com futebol e mais com uma lição de marketing que qualquer negócio, do pequeno ao grande, pode aplicar hoje mesmo.

O que aconteceu

Durante as férias após a Copa do Mundo, Haaland passou a responder pessoalmente comentários e vídeos de fãs no Instagram. Um garoto gravou vídeos por seis dias seguidos pedindo um comentário do atacante, e a estratégia funcionou: Haaland apareceu na publicação e respondeu com bom humor. Um salão de beleza de San Diego usou uma imagem feita por inteligência artificial mostrando o jogador com diversos penteados, e recebeu resposta. As interações acumularam milhares de curtidas e criaram uma espécie de disputa entre torcedores, que passaram a marcar o jogador em publicações diferentes na esperança de receber uma resposta.

O resultado: cada resposta virou conteúdo espontâneo, repostado por fãs, jornalistas esportivos e portais de notícia, sem que o clube ou o próprio Haaland tivesse pago por isso.

O insight que passa batido

A maioria das análises sobre esse tipo de caso para por aqui, com a conclusão óbvia de "responda seus clientes nas redes sociais". Mas o ponto que quase ninguém comenta é outro: o que gera engajamento de verdade não é a quantidade de respostas, é a imprevisibilidade delas.

Haaland não responde todo mundo. E é justamente por isso que cada resposta vira um "prêmio". Quando o público não sabe quem vai ser escolhido, ele continua tentando, marcando, comentando, criando conteúdo novo na esperança de ser notado. Isso gera um ciclo de engajamento contínuo, e não um pico isolado de curtidas em um único post.

Traduzindo para o mundo dos negócios: uma empresa que responde tudo de forma automática e padronizada vira só mais um perfil educado. Uma empresa que escolhe, de vez em quando, um cliente para uma resposta pessoal, inesperada e com personalidade, cria um momento que as pessoas querem printar e mostrar para os amigos.

Como uma pequena ou média empresa faz isso na prática

O dono de uma grande marca de futebol tem uma vantagem óbvia: fama. Mas o mecanismo por trás do fenômeno de Haaland não depende de fama, depende de comportamento, e isso qualquer negócio consegue reproduzir.

Um exemplo simples: o dono de um restaurante de bairro responde pessoalmente, com humor e sem parecer um robô, a avaliação de um cliente no Google ou a um comentário no Instagram. Uma loja de roupas escolhe, toda semana, um cliente que marcou o perfil da loja em uma publicação e faz questão de comentar de forma genuína, não com um "obrigada, volte sempre" copiado e colado.

O segredo não é responder tudo. É garantir que quem for respondido tenha uma experiência boa o suficiente para querer compartilhar aquilo. Isso funciona melhor ainda quando quem responde é o próprio dono ou fundador do negócio, porque o público sente que está falando com uma pessoa, não com um departamento de atendimento.

O cuidado que quase ninguém menciona

Existe um risco nesse tipo de estratégia que vale a pena citar, porque poucas matérias sobre o tema tocam nele. Haaland já enfrentou uma onda de críticas depois de publicar um story insinuando que quem não tinha ido à sauna naquele dia era "preguiçoso", uma piada que soou arrogante para parte do público, já que nem todo mundo tem acesso a esse tipo de privilégio.

A lição aqui é que humanizar a marca só funciona quando o tom está alinhado com a realidade de quem está lendo. Uma resposta espontânea que soa engraçada para você pode soar deslocada ou até arrogante para o cliente, dependendo do contexto. Antes de apostar em respostas mais informais e pessoais, vale entender qual humor realmente combina com o seu público, não só com o seu estilo.

O que fica

Empresas gastam fortunas tentando comprar alcance com anúncios enquanto ignoram a ferramenta mais barata que já têm: a caixa de comentários. A caixa de comentários de qualquer perfil comercial é, na prática, uma lista de pessoas que já demonstraram interesse e estão esperando alguma reação. Ignorar isso é deixar engajamento gratuito na mesa.

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Sobre o autor

Lucas AmorimColunista

3 matérias publicadas

Fundador da Racun Filmes, publicitário e especialista em marketing e audiovisual. Atua no desenvolvimento de estratégias para empresas de diferentes segmentos, unindo produção de conteúdo, branding, inteligência artificial e posicionamento digital. No portal, compartilha análises, tendências e insights sobre marketing, empreendedorismo e audiovisual, sempre com foco em aplicações práticas para quem busca crescer no mercado.

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