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Inovação

O fim da era bege? Por que o minimalismo e os tons claros estão perdendo espaço

O minimalismo e os tons claros dominaram o design por anos, mas começam a perder espaço para ambientes mais expressivos e cheios de personalidade. A saturação dos interiores neutros e a busca por autenticidade estão impulsionando o retorno das cores, texturas, materiais marcantes e composições mais ousadas. Mais do que seguir tendências, o design contemporâneo parece caminhar para casas que reflitam histórias, emoções e a identidade de quem vive nelas. O futuro não é necessariamente mais colorido, mas certamente mais autêntico.

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Durante mais de uma década, o minimalismo dominou o universo da arquitetura e do design de interiores. Casas completamente brancas, ambientes neutros, linhas retas e uma estética quase silenciosa se tornaram sinônimo de sofisticação. Mas algo mudou.

Nas principais feiras de design do mundo — da Semana de Design de Milão ao 3daysofdesign, em Copenhague — uma nova narrativa vem ganhando força: a busca por personalidade.

Depois de anos vivendo em ambientes extremamente neutros, muitas pessoas começaram a perceber que espaços perfeitos nem sempre são espaços memoráveis. O minimalismo trouxe organização visual, mas em muitos casos também eliminou a emoção. E a casa deixou de ser apenas um cenário bonito para voltar a ser um reflexo de quem vive nela.

Não é por acaso que estamos vendo o retorno de cores profundas, madeiras mais escuras, pedras marcantes, metais escurecidos, estampas, texturas e uma mistura cada vez maior de referências. O design está deixando de buscar a perfeição e voltando a abraçar a individualidade.

Outro fator importante é o movimento de reação às redes sociais. Durante anos, fomos bombardeados por imagens de interiores quase idênticos: sofás beges, paredes off-white, cozinhas monocromáticas e decoração minimalista. O resultado foi uma saturação visual. O que antes parecia sofisticado começou a parecer previsível.

Hoje, os projetos que mais chamam atenção são justamente aqueles que contam histórias. Um teto colorido. Uma parede revestida com tecido. Um lavabo ousado. Uma obra de arte inesperada. Um ambiente que desperta alguma emoção.

Curiosamente, isso não significa o fim do minimalismo. O que está desaparecendo é o minimalismo sem identidade. A simplicidade continua relevante, mas agora ela divide espaço com cor, textura e expressão.

Talvez a maior tendência dos próximos anos não seja uma cor específica ou um material da moda. Talvez seja algo muito mais simples: criar casas que pareçam habitadas por pessoas reais.

E, sinceramente, como arquiteta, fico feliz em ver essa mudança acontecer. Porque os projetos mais interessantes nunca foram aqueles que seguiam tendências à risca. Foram aqueles que tinham coragem de revelar a personalidade de quem vive ali.

O futuro do design parece menos preocupado em ser perfeito e muito mais interessado em ser autêntico.

*Todas as Imagens são autorais do escritório Bruna Pieritz Arquitetura e engenharia

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Sobre o autor

Bruna PieritzColunista

40 matérias publicadas

Arquiteta e designer, especializada em Arquitetura e Design pelo Politécnico de Milão. Acredito que a arquitetura deve ir além da estética: ela precisa traduzir a identidade, a história e o estilo de vida de quem irá viver cada espaço. Por isso, não acredito em projetos prontos ou soluções replicadas. Cada criação é única, pensada para refletir a essência de cada cliente. À frente da Bruna Pieritz Arquitetura, desenvolvo projetos completos de arquitetura e interiores, unindo estratégia, funcionalidade, sofisticação e atenção aos detalhes para criar ambientes autênticos, atemporais e cheios de significado.

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