Planejar 2027 é ainda mais importante para quem é sucessor
Em um processo de sucessão, o planejamento é onde o sucessor se posiciona. Amanda Bach, sucessora da Max Work, mostra como revisar 2026, definir prioridades para 2027 e se preparar para as mudanças da reforma tributária.

Todo empresário deveria planejar o ano seguinte com antecedência. Mas, para quem está vivendo um processo de sucessão na empresa, o planejamento tem um peso a mais. É nele que o sucessor mostra para onde quer levar o negócio, alinha expectativas com quem esteve à frente até aqui e transforma vontade de crescer em decisão.
Por isso defendo que o planejamento de 2027 comece agora, em outubro. Os números do ano estão praticamente fechados e ainda há tempo para decidir com calma, sem a pressa de janeiro.
Por que o planejamento pesa mais em um processo de sucessão?
Quem assume uma empresa costuma chegar com vontade de melhorar o que encontrou. É natural, e é bom. O risco é essa vontade se espalhar em muitas ideias soltas, sem uma direção clara para a equipe e sem alinhamento com a liderança que construiu o negócio.
O planejamento é o momento em que o sucessor se posiciona. Acredito que a empresa segue o posicionamento de quem está à frente dela, e na sucessão isso vale para quem está chegando tanto quanto para quem construiu o negócio. Quando o sucessor não assume escolhas, a equipe não sabe a quem seguir. Quando ele chega ao planejamento com prioridades claras, ganha espaço e respeito de forma natural.
Como revisar o ano sem apagar o que já foi construído?
Antes de olhar para 2027, olho para 2026. Aqui na MaxWork, o meu planejamento começa sempre pela revisão do ano, em torno de três perguntas:
O que funcionou? Quais ações, produtos, processos e parcerias trouxeram resultado. Para o sucessor, essa pergunta tem um valor especial: muito do que funciona hoje foi construído antes dele. Reconhecer isso é o primeiro passo para crescer sem romper com a história da empresa.
O que não funcionou? O que não deu certo vira aprendizado, e a gente vira a página para olhar as novas oportunidades.
Onde precisamos colocar mais foco e mais energia? Essa é a pergunta que transforma uma lista de desejos em planejamento. Energia é limitada, a do sucessor e a da equipe. Decidir onde ela vai ser depositada é a escolha mais importante do ano.
Como levar o planejamento para a mesa de decisão? Na minha trajetória, aprendi que comunicação assertiva é o que abre espaço para o sucessor. O planejamento é uma ótima oportunidade para isso, porque tira a conversa do campo da opinião e leva para o campo dos fatos: o que os números mostram, o que funcionou, onde está a oportunidade.
Algumas atitudes ajudam:
Chegue com a revisão pronta, não só com ideias novas. Mostrar que você olhou o ano inteiro gera confiança.
Deixe claro o que você vai liderar. Assumir uma empresa não é ocupar tudo de uma vez. É definir com clareza quais frentes ficam sob a sua responsabilidade em 2027.
Proponha poucas prioridades. Três decisões bem defendidas valem mais do que quinze sugestões soltas.
O que torna 2027 um ano diferente para crescer?
2027 traz uma mudança que precisa entrar no planejamento de qualquer empresa: a reforma tributária começa a mexer de verdade no dia a dia. O PIS e a Cofins deixam de existir e dão lugar à CBS, cuja alíquota ainda será fixada pelo Senado até dezembro. No Simples Nacional, o regime continua, mas a CBS passa a compor a guia no lugar desses tributos.
Para o sucessor, esse é um tema que vale assumir. Revisar preços com o contador, verificar contratos e confirmar que o sistema de gestão está atualizado são frentes concretas onde ele pode liderar a transição e mostrar resultado logo no início do ano.
Um roteiro para o sucessor nos próximos três meses
Outubro: revise 2026 com as três perguntas. O que funcionou, o que não funcionou, onde colocar foco e energia.
Novembro: leve a revisão para a mesa de decisão, defina as prioridades de 2027 e converse com o contador sobre a reforma.
Dezembro: comunique o plano para a equipe, deixando claro o que cada um lidera.
Crescer e melhorar o negócio começa antes de janeiro. Em uma sucessão, começa no dia em que o sucessor decide para onde quer ir e tem coragem de colocar isso na mesa.
Sobre o autor

12 matérias publicadas
Amanda Bach é palestrante de posicionamento e liderança, sucessora da Max Work Sistemas de Gestão e fundadora do Somos Sucessores, movimento que conecta, inspira e fortalece a próxima geração de líderes empresariais. Formada em Direito, com especialização em Experiência do Consumidor pela ESPM, Amanda acredita que o verdadeiro diferencial de qualquer negócio está nas pessoas. Apaixonada por conexões e empreendedorismo, busca inspirar líderes e sucessores a construírem seu próprio legado, valorizando o passado e transformando o futuro.
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