Você é o dono ou o melhor funcionário da sua empresa?
Muitos empresários são excelentes fazedores e, por isso, continuam fazendo tudo. Amanda Bach, palestrante de posicionamento e liderança, mostra os sinais do empresário fazedor e o que ocupa a agenda de quem se posiciona como estrategista.

Muitos empresários são excelentes no que fazem. Vendem bem, resolvem problemas rápido, conhecem cada detalhe da operação. E é justamente aí que mora a armadilha: de tanto fazer bem, eles continuam fazendo tudo.
O erro mais comum que vejo nos empresários não está na falta de competência. Está no posicionamento. O empresário não se posiciona como empresário. Ele se coloca como um excelente colaborador, fazedor do próprio negócio. E uma empresa liderada pelo seu melhor funcionário tem um limite claro: ela só vai até onde essa pessoa consegue chegar sozinha.
Quais são os sinais do empresário fazedor?
Todas as decisões passam por ele, das grandes às pequenas.
Ele apaga incêndios o dia inteiro e sente que, se não estiver lá, algo vai dar errado.
A agenda está cheia de operação e vazia de futuro: não sobra tempo para pensar na direção da empresa.
A equipe espera por ele para agir, mesmo em situações que poderia resolver sozinha.
Se ausentar parece impossível. Férias, eventos e cursos ficam sempre para depois.
Se você se reconheceu em mais de um, vale a pergunta do título: hoje, você é o dono ou o melhor funcionário da sua empresa?
Por que é tão difícil deixar de ser fazedor?
Porque fazer dá resultado imediato. Resolver um problema traz a sensação de dever cumprido no mesmo dia. Já o trabalho do estrategista aparece no médio prazo e, muitas vezes, ninguém vê.
Também existe o apego ao controle. Quando o empresário faz tudo, ele sabe que está sendo feito do jeito dele. Abrir mão disso exige confiança na equipe e, principalmente, em si mesmo como líder.
O que faz um empresário estrategista?
O empresário estrategista não trabalha menos. Ele trabalha diferente. Na minha rotina, a maior parte do meu tempo está dedicada à gestão da Max Work, e não à operação. Na prática, isso significa ocupar a agenda com outros tipos de trabalho:
Decide o que impacta a empresa como um todo. As decisões do dia a dia ficam com quem está mais perto delas. Comigo ficam as decisões importantes, aquelas que mudam o rumo da empresa.
Define a direção. Todo ano, reviso o que funcionou, o que não funcionou e onde precisamos colocar mais foco e mais energia. Esse olhar para o todo é responsabilidade de quem lidera, e ninguém faz por ele.
Desenvolve pessoas. Na Max Work, temos reuniões semanais e feedback com quem ocupa cargos de confiança. O estrategista investe tempo em quem faz a empresa andar, em vez de fazer no lugar delas.
Organiza o próprio tempo. Minha agenda é dividida em blocos, e cada bloco tem um objetivo claro: o que eu preciso fazer acontecer naquele período. Sem isso, a operação ocupa todos os espaços.
Cuida dos relacionamentos e dos ambientes. Estar em ambientes de negócios, como o BNI, traz conexões, ideias e oportunidades que nenhuma tarefa operacional entrega.
E para quem está assumindo uma empresa?
Para o sucessor, essa armadilha costuma ser ainda mais forte. Nos sucessores que acompanho, o erro que mais vejo é a crença de que é preciso “dar conta de tudo” para provar valor. O sucessor vira o melhor fazedor da empresa, quando o seu papel é construir um time que faça as coisas acontecerem.
Por onde começar?
Sair do operacional não acontece de um dia para o outro. Mas começa com três perguntas honestas:
Quais tarefas da minha semana só eu posso fazer?
Quais decisões estão passando por mim sem precisar?
Quanto tempo da minha agenda está dedicado ao futuro da empresa?
A partir daí, o caminho passa por posicionar pessoas e delegar com estrutura, tema que abordei na coluna sobre cargos de confiança aqui no Empreenda News.
Acredito que a empresa segue o posicionamento do dono. Um dono que se comporta como funcionário cria uma empresa do tamanho da sua capacidade de fazer. Um dono que se posiciona como empresário cria uma empresa do tamanho da sua capacidade de liderar.
Perguntas frequentes
O que é um empresário fazedor?
É o dono que concentra a operação e as decisões do dia a dia, atuando como o principal colaborador do próprio negócio. A empresa passa a depender da capacidade de uma pessoa só para crescer.
Como sair do operacional da empresa?
Identifique as tarefas que só você pode fazer, tire de você as decisões que outras pessoas podem tomar, posicione pessoas em cargos de confiança e reserve tempo na agenda para a gestão e o futuro da empresa.
O que faz um empresário estrategista?
Decide o que impacta a empresa como um todo, define a direção do negócio, desenvolve pessoas, organiza o próprio tempo com foco em resultados e cuida dos relacionamentos e ambientes que trazem oportunidades.
Sobre o autor

12 matérias publicadas
Amanda Bach é palestrante de posicionamento e liderança, sucessora da Max Work Sistemas de Gestão e fundadora do Somos Sucessores, movimento que conecta, inspira e fortalece a próxima geração de líderes empresariais. Formada em Direito, com especialização em Experiência do Consumidor pela ESPM, Amanda acredita que o verdadeiro diferencial de qualquer negócio está nas pessoas. Apaixonada por conexões e empreendedorismo, busca inspirar líderes e sucessores a construírem seu próprio legado, valorizando o passado e transformando o futuro.
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